sexta-feira, 11 de setembro de 2026

👮‍♂️💣💥 O OUTRO ONZE DE SETEMBRO ⚰️💀👨‍✈️

por José Ricardo de Souza*

No mundo inteiro hoje, dia 11 de setembro, serão lembrados os vinte e cinco anos dos ataques terroristas aos Estados Unidos da América, quando dois aviões tomados por terroristas foram direcionados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center na ilha de Manhattan (em Nova York), um terceiro contra o Pentágono, e um quarto foi derrubado pelos próprios tripulantes caiu em um campo próximo à cidade de Shansksville, no estado da Pensilvania.

A autoria dos atentados em série foi reivindicada por Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda, uma organização terrorista de cunho fundamentalista islâmica. As cenas dos ataques puderam serem assistidas ao vivo por milhares de pessoas em centenas de TVs espalhadas pelo planeta. Foi o pior ataque externo aos Estados Unidos desde o ataque nipônico de Pearl Harbor na Segunda Guerra Mundial em 7 de dezembro de 1941

No entanto, um outro onze de setembro nunca é citado nos livros de História ou lembrado pelos grandes noticiários internacionais, e sequer é mencionado nas efemérides desta data. Apagado, esquecido, invisibilizado, este outro onze de setembro é o começo de uma história nefasta, dolorosa e tortuosa de um país da nossa querida América Latina. Foi nesta data fatídica que se instalou no Chile a ditadura de Augusto Pinochet, um das mais cruéis e sanguinárias do continente, marcada por prisões, torturas, assassinatos e muita repressão.


Era manhã de 11 de setembro de 1973, e o Palácio de La Moneda, no centro de Santiago, capital do Chile, estava sob ataque. Tanques e aviões Hawer Hunter da Força Aérea bombardavam o edifício cercado por tanques. O presidente Salvador Allende chegou por volta de 7:30h, acompanhado por assessores. Alguns minutos antes das dez horas, tanques militares cercaram o palácio e às 10:15h Allende fez seu último discurso pelas ondas da Rádio Magallanes. Em suas palavras ecoava a voz de um líder eleito democraticamente pelo povo e que vivia seus últimos momentos de vida. A defesa da democracia foi sua última bandeira a ser levantada. Ele sabia que não sairia vivo dali. A voz de um cordeiro a ser imolado pelo pecado social de um sistema que privilegiava poucos privilegiados e excluía a maioria era num tom de despedida.


No começo da tarde, Allende pediu para que seus apoiadores abandonassem La Moneda, e por volta de 14:20h seu corpo é encontrado sem vida dentro do palácio. A versão oficial: suicídio. A versão oficiosa: assassinato. A verdade? Sufocada entre a disputa de narrativas entre defensores do golpe de Estado e aqueles que lutam para que a memória dos mortos e desaparecidos da ditadura chilena não caíam no esquecimento.

As chamas que arderam na fachada do palácio de La Moneda, queimando até mesmo a bandeira chilena, eram os augúrios do que estava por vir nos próximos anos no Chile: mais de 3000 pessoas foram mortas ou desapareceram, 30000 pessoas foram torturadas e 200000 chilenos foram forçados ao exílio. O país viveu neste período prisões em massa, execuções sumárias, censura imediata e um clima de terror coletivo.


O Estádio Nacional de Santiago foi transformado pelos golpistas em centro de detenção, onde prisioneiros eram interrogados e torturados, dentre eles o caso mais emblemático foi o do cantor, poeta, compositor e ativista chileno Víctor Jara, símbolo da Nueva Canción Chilena. Jara foi preso logo após o golpe de 11 de setembro e levado ao Estádio Chile, que hoje leva seu nome. Teve as mãos fraturadas, foi espancado e humilhado. Em 16 de setembro de 1973 foi assassinado com mais de 40 tiros e seu corpo abandonado nas ruas de Santigo. Sua morte se tornou símbolo da violência da ditadura chilena e suas canções, como "Te Recuerdo Amanda" e "El Dercho de Vivir em Paz" são hinos da luta por liberdade e justiça social.

Durante 15 anos, o Chile viveu seus piores momentos, com um governo autoritário e aliado dos Estados Unidos da América. Não por acaso, muitos dos golpes militares que aconteceram aqui na América Latina foram planejados nas salas e dependências do World Trade Center por militares, banqueiros e empresários ianques. A ditadura de Pinochet terminou em 5 de outubro de 1988, quando num plesbicito 55,99% da população votaram "Não" à sua permanência no poder. Após a presidência, ele continuou como como comandante do exército até 1988 e depois como senador vitalício até sua morte em 10 de dezembro de 2006, aos 91 anos, na capital chilena.

É muito provável que hoje, 11 de setembro de 2026, você ouça alguma notícia sobre as celebrações às vítimas dos ataques terroristas aos Estados Unidos, mas dificilmente alguém falará de Salvador Allende, do ataque ao palácio de La Monera, do assassinato cruel de Víctor Jara ou das centenas de mortos nos cárceres chilenos da ditadura de Pinochet. O que aconteceu no Chile precisa ser contado, para que não seja repetido.

Pela memória dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura de Augusto Pinochet e pelo 11 de setembro chileno, está é uma história que precisa ser contada! A exaltação de um fato histórico e o esquecimento de outro fato histórico, ambos importantes, que aconteceram na mesma data (em anos diferentes) mostra que a escrita da História pode ser seletiva, mas os fatos que a ela remetem teimam em sair do ostracismo a que foram condenados. Não por medo, mas por coragem. Com a ousadia de dar voz àqueles que tiveram sua vida ceifada em nome da democracia chilena.

*Prof. José Ricardo de Souza, da rede pública estadual de ensino, historiador, e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP), sócio honorário do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP) e fundador do Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico da Cidade do Paulista (IHGAAP). Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

🏭⛪️ PAULISTA, CIDADE DAS CHAMINÉS, DAS COHABs E DOS GRANDES EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS 🏨🏨🏨

por José Ricardo de Souza*

A cidade do Paulista, localizada na região metropolitana do Recife, ficou conhecida como a Cidade das Chaminés por causa de seu passado fabril marcado pela presença da Companhia de Tecidos Paulista (C.T.P.) que durante décadas com suas três fábricas desenhou o formato urbano da cidade com suas vilas operárias, com os jardins e a casa-grande do coronel, e a Igreja de Santa Isabel Rainha de Portugal, localizada no centro da cidade, e empregou milhares de trabalhadores, em sua maioria migrantes de outras cidades nordestinas.

Nas décadas de 70 e 80 do século passado, a atividade têxtil iniciada pela família Lundgren já dava seus sinais de exaustão e decadência, embora fosse mantida por basicamente três grandes empreendimentos: a Hering, a Tecanor e a Santista, localizadas no polo industrial de Paratibe. A antiga COHAB (Companhia Habitacional do Estado de Pernambuco), atual Perpart (Pernambuco Participações de Investimentos S/A) apoiada pelo extinto B.N.H. (Banco Nacional da Habitação) construiu vários parques habitacionais na cidade, como os Maranguapes I e II, Arthur Lundgren I e II, e para além do Paulista, já em Abreu e Lima, os Caetés I, II e III.

Em ambas as expansões demográficas fica clara a demanda por mão de obra farta e barata para trabalhar nas fábricas têxteis da cidade, ao qual foi suprida com o aumento populacional de pessoas egressas, em sua maioria, de pessoas que vieram do meio rural, portanto de cidades interioranas, em busca oportunidades no mercado de trabalho proporcionado pela indústria têxtil paulistense. O crescimento populacional, seja nas primeiras décadas ou nos anos 70-80 do século XX, fez da cidade do Paulista um importante centro urbano, orbitando em torno das cidades de Recife, Olinda e Igarassu, terminando o século passado como uma grande cidade-dormitório, onde a maioria de seus habitantes trabalham e/ou estudam fora do Paulista.

Segundo estimativas do último censo demográfico (2026), Paulista possuí 367 mil habitantes, devendo ultrapassar os 400 mil moradores até 2036, impulsionada pela expansão imobiliária e pela conurbação com Recife e Olinda, a um ritmo de crescimento de 0,8% a 1% ao ano. Para uma cidade que possuía pouco mais de 340 mil habitantes em meados do século XX, esse crescimento populacional é acelerado e fez com que Paulista deixasse de ser uma típica cidade interiorana para ser uma cidade cosmopolita, multifacetada e diversificada.

A demanda por infraestrutura surge como um dos principais desafios para os próximos anos da outrora cidade das chaminés, seja por questões de abastecimento de água, energia elétrica, saneamento urbano, ou por conta da mobilidade urbana, numa cidade já saturada de vias terrestres e veículos automotivos, afora é claro, a precariedade do serviço de transporte urbano. Apenas com estes elementos já seria o suficiente para repensar o modelo urbanístico da cidade com suas estruturas verticalizadas dominando o ambiente urbano com seus condomínios fechados.

O debate fica ainda mais sensível quando se atenta para a questão ambiental paulistense, em especial ao que ocorre na Mata do Frio, que vem sendo devastada, mesmo sendo área de proteção ambiental. O avanço da urbanização vem também acompanhado do aterramento das áreas de várzea e de manguezais, impactando o ecossistema local, cujos reflexos mais evidentes são a presença de animais nativos em áreas urbanas, como jacarés, capivaras e cobras. A cobertura vegetal da outrora cidade dos eucaliptos (espécie rara atualmente da flora paulistense) diminui a olhos vistos sem uma intervenção do poder público local.

A Paulista de 2026 cresce, ou melhor, incha desordenadamente, sem zelo com o meio ambiente e rumo a sérios problemas causados por gente demais e serviços de menos. Sem uma sensibilização do poder público local e uma articulação da sociedade civil organizada é impossível pensar numa Paulista voltada para o bem-estar da maioria de seus habitantes que precisarão de muito mais opções de serviços como água e luz, mas também de escolas, universidades, centros médicos, áreas de lazer e convivência comunitária, etc.

Paulista deve consolidar-se como uma das cinco maiores cidades de Pernambuco na próxima década, mas com um desafio a ser vencido: equilibrar o crescimento populacional com qualidade de vida. A crescente expansão imobiliária exige políticas públicas eficientes para equilibrar qualidade de vida com densidade urbana, e infraestrutura com sustentabilidade. Somente assim poderemos pensar numa Paulista forte, pulsante, potente e pronta para a chegada de seu centenário que se aproxima (em 2035).


* O autor é historiador, professor da rede pública estadual e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP), sócio honorário do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), sócio fundador do Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico e Antropológico da Cidade do Paulista (IHGAAP) e da União Brasileira dos Escritores (secção Paulista). Criador do Projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais (Instagram, Threads, X, TikTok e Kwai).

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

💛🫂 SETEMBRO AMARELO | Mês de sensibilização para a saúde mental e prevenção do suicídio. 🫂💛


🌻 Setembro convida-nos a olhar com mais atenção para quem está à nossa volta, a ouvir sem julgamentos e a criar espaço para conversas que, muitas vezes, ficam por dizer. Há silêncios que dizem muito. Há sorrisos que escondem dias difíceis. E há momentos em que tudo o que alguém precisa é de sentir que não está sozinho.

Nem sempre a pessoa precisa de conselhos. Às vezes, precisa ser ouvida sem julgamentos. Precisa saber que seu sofrimento importa e que não precisa enfrentar tudo sozinha. Ser forte não deveria significar sofrer em silêncio. Se você percebe que não está conseguindo lidar com o peso emocional do que está vivendo, procure ajuda profissional e converse com alguém de confiança.

Nem sempre quem está sofrendo consegue pedir ajuda. Isolamento, desesperança e mudanças de comportamento são sinais que merecem atenção e nunca devem ser ignorados. Ouvir sem julgar e incentivar ajuda profissional faz toda a diferença.

Houve dias em que eu também pensei que não seria possível continuar. E hoje penso em tudo o que eu não teria vivido se tivesse desistido naquele momento. Por isso, eu sei: uma dor pode parecer eterna enquanto estamos dentro dela. Mas ela não é.

Neste Setembro Amarelo, vamos transformar empatia em atitude: ouvir com atenção, acolher com respeito e lembrar às pessoas ao nosso redor que elas são importantes. Pequenos gestos podem abrir caminhos para a esperança.

E se houver risco de se machucar ou de tirar a própria vida, procure ajuda imediatamente. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia. Sua vida importa 🎗 Peça ajuda.

Neste Setembro Amarelo, que a gente aprenda a perguntar não apenas “como está sua dor?”, mas também:

💛 Cuidar da saúde emocional também é valorizar a vida. 💛

#setembroamarelo
#prevencaoaosuicidio
#saudemental

🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

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⏳#muitahistoriapracontar⌛