sábado, 21 de março de 2026

💣💥 HAVERÁ UMA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL? 🤔😱

por José Ricardo de Souza*

Quando o estudante sérvio Gravilo Princip assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro em 28 de junho de 1914 na cidade de Saravejo, na Bósnia, é provável que ninguém imaginava que aquele atentado seria o estopim de uma grande guerra, que se arrastou por quatro anos (1914-1918), deixando 20 milhões de mortos, marcou a estreia da metralhadora, do submarino e dos gases tóxicos nas guerras, e mudou o mapa geopolítico mundial com o fim de impérios como o Austro-húngaro e o surgimento de potências como os Estados Unidos (na verdade, o grande vencedor da Primeira Guerra Mundial).

O mesmo raciocínio é válido em 1939 quando tropas nazistas ultrapassaram a fronteira da Polônia. Ninguém que viveu naquela época imaginava que seria o começo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que nunca mais o mundo seria o mesmo após os bombardeios atômicos sobre Hiroshima e Nagasaki e a possibilidade real da aniquilação da espécie humana.

Voltando para o presente, podemos nos perguntar: estamos vivenciando o começo da Terceira Guerra Mundial após os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o regime teocrático xiita iraniano em 28 de fevereiro de 2026 que resultou na morte do líder máximo Ali Khamenei e de dezenas de membros do seu governo? Ou será que esta guerra começou ano passado quando os Estados Unidos conseguiram bombardear a usina nuclear iraniana de Fordow em 221 de junho de 2025?

Estabelecer marcos históricos nunca foi uma tarefa fácil para nós, historiadores, porque a História, ou melhor o processo histórico é contínuo, não avisa quando começa e quando termina uma fase, uma era ou um período. E ainda qualquer tentativa de periodização pode ser questionada.

O que podemos afirmar, sem receio de errar, é que o conflito atual entre Estados Unidos e Irã carrega consigo elementos presentes nas duas grandes guerras mundiais (assustador isso, não?) com uma pitada tecnológica do século XXI (drones e uso de IA) capazes de fazer a panela de pressão geopolítica Mundial explodir a qualquer momento.

Qualquer manual de História vai citar que algumas das origens da Primeira Guerra Mundial foram o choque de imperialismo, a corrida armamentista, a busca e controle de novas fontes de matérias-primas e os chamados conflitos localizados (Crise nos Balcãs e a Questão do Marrocos). Qualquer semelhança com o antigo embate entre Irã e Israel, o desejo dos Estados Unidos de controlar o petróleo iraniano, o fortalecimento da indústria bélica iraniana que busca desenvolver sua própria bomba atômica e o choque entre as pretensões de Trump e do agora finado Khamenei a respeito do Oriente Médio não são meras coincidências com o cenário geopolítico mundial pré-1914 ou do início do século XX lembrando que o estopim da Primeira Guerra Mundial foi um atentado que matou um chefe de Estado, ou melhor futuro chefe de Estado.

Comparações entre fatos e personagens históricos fora da época em que viveram sempr Khamenei e será algo arbitrário e bem discutível, quando não, algo bem anacrônico. Mas o que dizer das semelhanças e coincidências entre a atual politica externa norte-americana de Trump e o expansionismo nazista de Adolf Hitler no continente europeu nos anos 30 do século passado? Resguardadas as devidas proporções de tempo e de espaço Trump e Hitler redesenham o mapa geopolítico a partir da lógica do fortalecimento belicoso e militarista de seus estados nacionais, pouco se importando se para isso o unilateralismo dos organismos internacionais fosse um empecilho. Trump ignora a ONU, tanto quanto Hitler ignorava a Liga das Nações.

Já preciso me preocupar em comprar meu bunker ou ainda é cedo para isso? Quando devo começar a estocar alimentos e provimentos em casa? Quem vai detonar a primeira bomba nuclear? A China e a Rússia continuarão assistindo o circo, ops, ou melhor o mundo pegando fogo de camarote? (vai ver Putin já tem a Ucrânia para se preocupar e Xi Jinping deve andar às turras com Tawan esperando o melhor momento para anexá-la).

Estamos assistindo passivos, anestesiados com tantas notícias e acomodados com o discurso fundamentalista pentecostal ao começo do fim da espécie humana na Terra? Temos mais dúvidas que certezas. A roda da História tem rodado mais rápida do que o giro das metralhadoras na Primeira Guerra Mundial. O cenário é assustador, as coincidências falam mais alto do que as sirenes alertando os bombardeios e o mundo civilizado construído em alguns milênios pode mesmo estar com seus dias contados.

* O autor é professor da rede pública estadual de ensino, historiador e escritor. Sócio honorário do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), e sócio-fundador da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP). Criador do projeto Muita História pra Contar.


domingo, 1 de fevereiro de 2026

🎉😁📱 3000 SEGUIDORES NO INSTAGRAM. SOMOS 3K COM MUITO ORGULHO 📱😍🎉

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📱🎉 Chegamos aos 3000 seguidores no nosso perfil do Instagram (@josericardope01), com 99% das postagens voltadas para o meu projeto de divulgação e disseminação de conhecimento histórico nas redes sociais: o MUITA HISTÓRIA PRA CONTAR. O perfil surgiu em 6 de outubro de 2018, ainda sem grandes pretensões de atingir as proporções que chegou. Em 26 de maio de 2021 conquistamos nosso primeiro 1 K – mil seguidores –  e em 11 de dezembro do mesmo ano, chegamos a miléssima postagem - atualmente conta com 4048 publicações.

O perfil do Instagram é um espaço a mais para o MUITA HISTÓRIA PRA CONTAR, chegando a um público mais jovem e adolescente que faz uso desta rede social, em sua maioria estudantes de ensino fundamental e médio. A cada postagem uma nova História é contada e relembrada, personagens importantes e relevantes são tirados do esquecimento, e mais pessoas têm acesso à informações sobre História que ficam, na maioria das vezes, apenas restritas às salas de aula.

Ao proporcionar este conhecimento sobre a História espero que estimule as pessoas a gostarem mais dessa ciência e procurarem saber mais sobre o passado, que diz mais sobre o presente do que imaginamos. Sob a inspiração de Clio, a musa dos historiadores, seguimos adiante na missão de contar histórias "para que os feitos dos homens não se percam nas névoas do tempo". A luta não apenas continua, mas ela é contínua; e o mar da História é agitado demais para dormirmos em berço esplêndido esperando o gigante acordar!💪🌊👊⏳🙅‍♂️🙅🏿‍♀️

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🧭 Concepção e elaboração do post 📝José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

⏳📘 HISTÓRIA DE PERNAMBUCO NA GRADE CURRICULAR DAS ESCOLAS ESTADUAIS 📗⌛

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🗞️Saiu no Diário Oficial do dia 14 de janeiro de 2026 a nova grade curricular que contempla o ensino de História de Pernambuco nos anos finais do ensino fundamental (6° ao 9° ano) com 1 aula semanal - 160 anuais. A medida tem como base a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e reforça a necessidade de valorização dos aspectos regionais e locais na formação dos estudantes.

A publicação atende ao que foi anunciado pela governadora Raquel Lyra no dia 2 de julho de 2025 no Palácio do Campo das Princesas por ocasião do encerramento das comemorações do Bicentenário da Confederação do Equador. A implementação desta nova disciplina será vital para suprimir a lacuna que existia nos currículos escolares quanto a abordagem da História local, seus personagens, principais fatos e legados para as gerações fururas. Cumpre assim uma necessidade de proporcionar aos estudantes maiores conhecimentos sobre a rica História pernambucana. ⏳❤️⌛

#historianocurriculo
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

💻🎉 4000 Postagens no Instagram do Muita História pra Contar 🖱📱

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O perfil do Instagram é um espaço a mais para o MUITA HISTÓRIA PRA CONTAR, chegando a um público mais jovem e adolescente que faz uso desta rede social, em sua maioria estudantes de ensino fundamental e médio. A cada postagem uma nova História é contada e relembrada, personagens importantes e relevantes são tirados do esquecimento, e mais pessoas têm acesso à informações sobre História que ficam, na maioria das vezes, apenas restritas às salas de aula.

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sábado, 22 de novembro de 2025

⏳🎙 SAGAS PERNAMBUCANAS - Voz e Força do Povo - 2a Temporada 😍🎧

🎧 📱 ⏳ 💻 🤓

🎙🕰 Já está disponível a segunda temporada completa do Podcast SAGAS PERNAMBUCANAS que neste ano traz o tema ‘Voz e Força do Povo - A história de Pernambuco Como Você Nunca Ouviu’. O lançamento foi anunciado durante o Seminário “Alepe 190 Anos: História, Cidadania e Representação na Casa do Povo Pernambucano", realizado no auditório Sérgio Guerra em 23 de outubro deste ano.

A produção é o primeiro podcast narrativo criado por uma assembleia legislativa no Brasil. Idealizado pelo jornalista André Zahar, que divide a locução com Clarissa Falbo, o projeto contou com ampla pesquisa realizada na Biblioteca da Alepe e em acervos históricos.

"Esse projeto é voltado para a construção da memória coletiva, para que as pessoas conheçam a própria história e possam se inspirar e referenciar nela. Um dos objetivos é o de valorizar a nossa memória institucional e o acervo da nossa assembleia. Ao escolhermos o formato histórico-narrativo, a proposta era fazer com que  as pessoas se sentissem dentro dos fatos históricos e transformassem a história em corpo e voz", explicou Zahar.

A professora Audenice Zacarias ressaltou a contribuição do podcast para a educação pública no estado. “Para nós, o Sagas Pernambucanas é muito importante, pois finalmente o Governo de Pernambuco trará estudos direcionados para a história do Estado a partir do ano que vem, mas ainda não temos o material disponível para a educação básica”, lamentou.

De acordo com a professora, o podcast será importante não somente para os alunos recifenses, mas dará uma contribuição para a educação pública de Pernambuco de uma forma geral. Com episódios inéditos disponíveis nas principais plataformas de áudio, a produção retrata a luta popular por democracia e direitos sociais. No YouTube, os links estão abaixo relacionados:

🗳  Ep. 1 - Abertura dos trabalhos


👊 Ep. 2 - Madeira de lei que cupim rói


😕 Ep. 3 - A ressaca da república


👩‍🦱 Ep. 4 - Divas da política pernambucana


🔰 Ep. 5 - O golpe em Pernambuco


#sagaspernambucanas
#podcastdehistoria
#historianasredessociais
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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

❌🧔🏽 O RACISMO NOSSO DE CADA DIA 😠😤


*por José Ricardo de Souza

Antes que comecem a ler este artigo, aviso de antemão que este não é meu lugar de fala, enquanto indivíduo de cor branca, que atende aos padrões caucasianos, mas com ascendentes indígenas e afro-brasileiros. Mas quem disse que é preciso ser negro, pardo ou mestiço para se colocar contra o racismo, a segregação racial e o preconceito à cultura e à religiosidade afro-brasileiras? Considero urgente e necessária este debate, que muitas vezes se transforma em embate, num país que se sustentou durante quatro séculos com mão-de-obra escravizada e que ainda não acertou suas devidas contas com o passado.

Se por um lado não tivemos um regime institucional de segregação racial como a apartheid sul-africano ou grupos supremacistas como a Ku-Klux-Kan dos Estados Unidos, nem por isso podemos suavizar ou relativizar o preconceito racial como fizeram Gilberto Freyre e Monteiro Lobato em suas obras, mas atentar para um lado ainda mais perigoso: a negação do racismo presente nas relações, instituições e estruturas sociais. A maioria das pessoas assumem que não são racistas, mas não negam que conhecem alguém que o seja, um amigo, vizinho, parente, etc. Essa percepção que atribuí o racismo sempre ao “outro” e nunca a “nós mesmos” é apenas uma forma de negar o óbvio: sim, a maioria da população brasileira é racista, embora não assuma isso explicitamente, mas de formas sutis e aparentemente inofensivas.

Seja por vocábulos, como lista negra, ovelha negra, “serviço de preto”, denegrir, etc.; pela perseguição à cultura afro e suas manifestações, como o rap, o funk, a dança de rua, a batalha de rimas; ou pela intolerância à religiosidade de matriz afrobrasileira, que é demonizada principalmente pelas denominações neopentecostais, vemos claramente o quanto a comunidade negra é discriminada, perseguida, silenciada e invisibilizada em vários aspectos. Quantos médicos negros você conhece? Quantos filhos de negros estudam nas melhores escolas privadas? Não é por acaso que os exemplos das perguntas acima são ínfimos, raros, e costumam ser exceções e não regra!

O debate antirracista precisa ser feito diariamente, coletivamente e insistentemente. Não se trata apenas de reparação histórica ou de vitimismo social, como apregoam esquerda e direita, respectivamente, mas de uma necessidade crucial para a construção de uma sociedade que respeite a diversidade de etnias, culturas, e religiosidades que durante séculos formaram o povo brasileiro, que é multirracial, miscigenado, e multifacetado. Quando o preconceito é a regra, a exclusão é a consequência. Racismo nem deveria existir. E se existe, é para ser combatido, rejeitado e banido da nossa sociedade.

* O autor é historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor e criador do projeto Muita História pra Contar. Sócio do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico e Antropológico da Cidade do Paulista (IHGAAP). Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP).


sábado, 15 de novembro de 2025

💪🙋🔰 A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL 🔰🙋👊

por José Ricardo de Souza*

No dia 15 de novembro de 1889, quando as tropas militares comandadas pelo marechal Deodoro da Fonseca ocuparam o Palácio Imperial e anunciaram a deposição de D. Pedro II, tivemos o fim do Império brasileiro e o advento da República. A palavra República tem origem latina (vem de res publica) e pode ser traduzida como "coisa pública", embora sua instauração no Brasil foi feita não foi feita pelo povo, mas por membros da oligarquia rural e setores do Exército, que embora defendessem interesses distintos, se uniram num projeto político comum para derrubar o Império. A idéia de República não era nova no Brasil, remonta aos tempos coloniais, sendo a Capitania de Pernambuco privilegiada neste item, pois partiu daqui, mais precisamente de Bernardo Vieira de Melo, o primeiro "Grito de República", no antigo Senado e Câmara da Vila de Olinda, em 10 de novembro de 1710, durante o tempestuoso conflito intitulado "Guerra dos Mascates". O feito é citado por Oscar Brandão da Rocha na letra do Hino de Pernambuco: "a República é filha de Olinda".

Os pernambucanos levantaram a bandeira republicana outras vezes: em 1817, durante a Revolução Pernambucana, na Confederação do Equador (1824) e na Revolução Praieira (1848-1850). As Conjurações Mineira (1789) e Baiana (1798), as revoltas regenciais da Cabanagem (1835-1840) e Farroupilha (1835-1845) foram outros movimentos de orientação republicana, sendo todos eles sufocados por forças legalistas, leais à metrópole ou ao império brasileiro. O processo de ruptura com a ordem imperial nasceu em meados do século XIX com as transformações sociais e econômicas surgidas no Brasil, que paulatinamente passava por um tímido processo de industrialização e crescimento das cidades, o que favoreceu à formação de novos grupos sociais, como as médias camadas urbanas. O controle político ainda era centralizado na figura do Imperador D. Pedro II, e disputado pelos partidos conservador e liberal, embora ambos representassem a oligarquia rural, proprietária de terras e de escravos.

Após a Guerra do Paraguai (1865-1870) o recém-formado Exército brasileiro passou a reivindicar maior participação na ordem política do país, o que foi veementemente negado. As lutas pela abolição da escravatura tomaram amplitude nas discussões políticas e ideológicas, sob influência velada do governo inglês interessado em transformar ex-escravos em trabalhadores assalariados, portanto possíveis consumidores das mercadorias inglesas que invadiram o mercado brasileiro na época. O governo imperial prometia uma abolição, embora "lenta e gradual" para não ferir os interesses dos cafeicultores. O envolvimento de alguns padres católicos com a Maçonaria foi alvo de conflito com o Império. Em obediência ao papa Pio IX, os bispos de Olinda, Dom Vital, e do Pará, Dom Macedo, puniram padres que participavam da Maçonaria, sendo por isso presos e condenados à trabalhos forçados. Assim se delinearam os três suportes ideológicos do movimento republicano: a questão militar, a questão abolicionista e a questão religiosa.

A articulação política dos republicanos foi formalizada na Convenção de Itu em 1873, onde foi fundado o poderoso Partido Republicano Paulista - PRP. O local escolhido para a reunião, um casarão de uma ilustre família de cafeicultores paulista, os Almeida Prado davam uma dimensão do que estava para acontecer. Os republicanos expuseram suas propostas num documento intitulado "Manifesto Republicano", onde se lê "somos da América e queremos ser americanos", numa clara referência que, com exceção do México, o Brasil foi o único país das Américas a adotar o regime monárquico após a emancipação política da metrópole portuguesa.

O colegiado militar recebeu influências do Positivismo francês do filósofo Augusto Conte, que inspirou o lema da bandeira republicana "ordem e progresso" – uma versão compacta do lema desta escola filósofica: "o amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim" – e defendia um Estado forte para promovê-lo sem grandes rupturas com a ordem social existente. Ainda havia a questão da sucessão, uma vez que a princesa Isabel era casada com Gastão de Orléans, o Conde D'Eu, de origem francesa e de má fama após as atrocidades cometidas por ele na Guerra do Paraguai, como executar prisioneiros e incendiar hospitais de campanha.

O desenrolar dos acontecimentos após estes fatos foram meticulosamente articulados para colocar as tropas contra o imperador. Primeiro, a adesão de lideranças civis, como Quintino Bocaiúva, Francisco Glicério, Aristides Lobo, Rui Barbosa, Silva Jardim, entre outros com os principais chefes militares, o próprio Deodoro da Fonseca, Benjamin Constant (positivista convicto) e Solón Ribeiro. A partir daí bastaram boatos sobre supostas prisões de militares republicanos para desencadear o golpe militar. Às nove horas do dia 15 de novembro de 1889, o Visconde de Ouro Preto, chefe do governo imperial, é comunicado oficialmente do fim do Império brasileiro. No dia seguinte, dom Pedro II e sua família são exilados para a Europa. Dom Pedro II viria a falecer dois anos depois em Paris, esquecido e abandonado.

Concluindo, podemos afirmar que a República brasileira nasceu de um golpe militar, articulado pelos cafeicultores desafetos com a abolição da escravatura, e articulado pelos militares da linha positivista. Em nenhum momento, houve qualquer indício de participação popular, como bem salientou o jornalista Aristides Lobo: "o povo assistiu bestializado".

O Brasil republicano, pouco mudou para a maioria da população, que continuou empobrecida e excluída das decisões e dos grandes processos nacionais. Os donos do poder continuaram os mesmos, ou seja, era a oligarquia latifundiária comprometida com o capitalismo internacional, leia-se capitalismo inglês na época. A continuidade do governo republicano revelou mais adiante muitas manifestações contrárias aos desmandos do governo: Revoltas da Armada, Revolução Federalista, Guerra de Canudos, Guerra do Contestado, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata, Tenentismo, e finalmente a Revolução de 1930, que pôs fim à chamada República Velha.

Das camadas mais populares às classes médias urbanas, dos antigos membros da Armada imperial até os jovens "tenentes", e até mesmo alguns republicanos históricos, que se decepcionaram com os rumos que a República tomou, podemos dizer que houve uma grande insatisfação com a mudança do regime, que embora prometesse uma entrada digamos mais moderna para o século XX, acabou entregando um período turbulento, com muitas insatisfações, revoltas, golpes, crises econômicas e muita desigualdade social. Não foi realmente a República com a qual muitos sonharam e lutaram.

* O autor é historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor e criador do projeto Muita História pra Contar. Sócio do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico e Antropológico da Cidade do Paulista (IHGAAP). Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP).