sexta-feira, 3 de julho de 2026

💪👊 202 ANOS DA CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR DE 1824 💣💥


por José Ricardo de Souza*

Num dia como hoje, 2 de julho de 2026, há 202 anos começava a Confederação do Equador, movimento revolucionário de caráter republicano e separatista que eclodiu na então província de Pernambuco sob a liderança de Manuel de Carvalho Pais de Andrade, e que teve a participação das demais províncias do Nordeste: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. O movimento contou com a participação de importantes personagens da História brasileira, como o jornalista e médico baiano Cipriano Barata e o frade carmelita Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca, o Frei Caneca, cujos escritos no “Typhis Pernambucano” atacavam o autoritarismo de D. Pedro I.

Este levante representou a principal reação contra a tendência monarquista e a política centralizadora do governo de Dom Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de 25 de março de 1824, a primeira Constituição do país. O imperador, mesmo após a Independência do Brasil, permanecia atrelado aos interesses da Coroa Portuguesa, e mostrava-se simpático a uma proposta, feita pelo seu pai Dom João VI, de recriar o Reino Unido com base em fórmula que concederia ao Brasil uma ampla autonomia, porque assim preservaria seus direitos ao trono português. A fórmula, contudo, era vista por muitos pernambucanos como uma tentativa de recolonização. O movimento é considerado um desdobramento da Revolução Pernambucana de 1817.

A adesão contou com mais força em parte do Nordeste, mas não foi um evento apenas regional, pois chegou a representar os anseios e ideais defendidos durante aqueles anos em várias partes do Brasil. Uma das primeiras medidas da Confederação foi suspender o tráfico de pessoas escravizadas da África. Nisto, o movimento não teve apoio da elite agrária da época.

Para derrotar os revolucionários, Dom Pedro I pediu empréstimos à Inglaterra e contratou tropas no exterior, que seguiram para o Recife sob o comando de Thomas Cochrane. A Divisão Constitucional da Confederação do Equador, que por 71 dias percorreu o interior de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, sob o comando geral de José Vitoriano Delgado de Borba Cavalcanti e Albuquerque – após a renúncia de Manuel Inácio Bezerra de Melo no Grande Conselho do Engenho Poço Comprido –, foi cercada por tropas legalistas e depôs as armas na Fazenda do Juiz, de propriedade dos monges beneditinos (no sul do Ceará), em 29 de novembro de 1824, assinalando o fim da Confederação do Equador. Na ocasião foram presos importantes membros da revolta, como o Agostinho Bezerra Cavalcanti (que ficou conhecido como o "Major dos Pretos") e Frei Caneca.

A rendição tinha como uma das condições um tratamento clemente por parte do governo imperial, o qual não foi cumprido. Todos os rebeldes sobreviventes foram presos. Dezoito deles, entre os quais Frei Caneca, foram considerados líderes da revolta. Os prisioneiros foram conduzidos ao Recife, onde chegaram em 17 de dezembro de 1824. Frei Caneca e mais sete prisioneiros foram levados para a cadeia da cidade e postos numa cela onde costumavam ser guardadas as cabeças de enforcados.

A comissão militar presidida pelo brigadeiro Lima e Silva iniciou seus trabalhos em 20 de dezembro de 1824 com a clara intenção de processar e julgar sumariamente os prisioneiros considerados chefes da rebelião. Frei Caneca e mais dois militares foram os escolhidos para serem julgados em primeiro lugar. A sentença de Frei Caneca foi estabelecida de imediato e em definitivo. Ele foi condenado à morte, depois de perder a condição de religioso. A condenação se deu em 23 de dezembro de 1824 e o fuzilamento em 13 de janeiro de 1825.

Em 7 de março de 1825, D. Pedro I determinou a execução dos outros condenados à morte. Foram condenadas à pena capital 31 pessoas, entre elas Agostinho Bezerra Cavalcanti e o padre Mororó. Foi extinta a Comissão Militar e a justiça comum encarregou-se dos réus já pronunciados. Os demais acusados receberam anistia. O imperador mandava ainda que a rebelião "fosse colocada em perpétuo silêncio".

Ainda em retaliação, D. Pedro I desmembrou a Comarca do Rio de São Francisco do território pernambucano (sete anos antes, Dom João VI havia desligado de Pernambuco a Comarca das Alagoas como punição pela Revolução Pernambucana). Devido ao seu espírito democrático, portanto, os pernambucanos perderam 62% do seu território, passando dos 261 mil quilômetros quadrados originais para os 98 mil atuais. Apesar da intensa repressão e das perdas, tanto humanas, quanto territoriais, os pernambucanos viriam a se revoltar mais uma vez contra o Império brasileiro, desta vez em 1848, quando os liberais ligados ao Partido da Praia se rebelaram e explodiu a Revolução Praieira.

Ao longo de 2024 vários eventos foram feitos em Pernambuco, no Ceará, no Rio de Janeiro e em Brasília para celebrar o Bicentenário da Confederação do Equador. Foi criada uma comissão no Senado (2023) e outra no Estado de Pernambuco (2 de julho de 2022) para programar e organizar atividades oficiais de comemoração do Bicentenário da Confederação do Equador, que ocorrerão ao longo dos anos de 2024 e 2025, marcando os 200 anos da execução do Frei Caneca, por arcabuzamento, no largo do Forte das Cinco Pontas.

O Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambuco e o Instituto do Ceará promoveram o Seminário Comemorativo dos 200 Anos da Confederação do Equador 1824-2024 nos dias 2 e 3 de julho em Recife, e nos dias 27 e 28 de agosto em Fortaleza. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), através da Escola Judicial (Esmape) e do Memorial da Justiça estadual, e com a coparticipação de instituições parceiras, sediaram um seminário comemorativo com o tema "Confederação do Equador e os desafios da cidadania e do republicanismo no Brasil (1824-2024)", entre os dias 14 e 16 de agosto, no Auditório Desembargador Nildo Nery da Esmape.

Além dos eventos acima citados, tivemos também o lançamento de um selo comemorativo pelos Correios; do podcast "Sagas Pernambucanas", uma produção da Rádio Alepe; do cordel "A Confederação do Equador pra tu entender, tá ligado!?" assinado pelo cordelista Caio do Cordel, com ilustrações de José Terciano Torres; o lançamento da reedição do livro “Frei Joaquim do Amor Divino Caneca”, organizado por Evaldo Cabral de Mello e publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe); uma cartilha para os professores dos anos finais da rede estadual (A Confederação do Equador: uma breve história de um movimento revolucionário, de autoria de Bruno Augusto Dornelas Câmara); uma exposição da iconografia de Frei Caneca produzida pelo artista Robert Ploeg, a partir de uma pesquisa foi feita por estudiosos e historiadores da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); o espetáculo Frei Caneca – 200 anos da Confederação do Equador, dirigido por Carlos Carvalho; e uma Exposição Virtual produzida pela Comissão de Gestão e Preservação da Memória e do Memorial da Justiça.

202 anos depois do seu final, a Confederação do Equador ainda inspira os pernambucanos em seus anseios por uma sociedade mais justa e igualitária, com direitos garantidos para todos, e um Estado que promova o bem-estar social sem distinção de classe, gênero, etnia, crença, etc. Uma bandeira que se alvora a cada amanhecer na busca por dias melhores.

*O autor é historiador, professor da rede pública estadual de ensino, e escritor. Sócio honorário do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP), e da UBE-Paulista. Criador do Projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais.



sexta-feira, 1 de maio de 2026

💪🗣👊 CRÔNICA DE UM DIA DO TRABALHADOR 💪📝👊

por José Ricardo de Souza*

Para quem esperava um feriadão de sol, praia e passeio, o que não era o meu caso, de caseiro que sou, a natureza entregou um dia frio e chuvoso, bom para ler um livro, como canta o Djavan, ou para escrever uma crônica, aproveitando a visita da inspiração literária logo ao acordar. Ao acessar as redes sociais me deparo com o retrocesso das últimas notícias e até parece que a natureza é solidária chorando copiosamente diante de uma semana de derrotas para quem espera um país mais livre, mais justo e menos desigual.

O que deveria ser um dia de luta virou dia de feriado. O que deveria ser dia de sair às ruas virou hoje (1°/5/26) uma sexta-feira com ruas alagadas e canais entupidos de lixo e baronesas, consequência da ocupação desordenada da cidade e de todos os reflexos de muito asfalto e pouca terra para acolher a água das chuvas.

O que comemorar num primeiro de maio? Muita coisa. Hoje temos salário-mínimo, férias remuneradas, direito ao repouso semanal, jornada de trabalho de oito horas, proteção contra demissão arbitrária, direito de organização sindical, etc. Tudo conquistado a duras penas. Direitos nunca são dados! Atrás de cada linha da C.L.T., que hoje virou uma expressão ofensiva para a chamada geração Z, tem um preso, um ferido, um morto que lutou para que outros pudessem gozar de benefícios que talvez nem ele pôde aproveitar.

A sociedade mudou, a tecnologia veio para ficar, e a realidade do trabalhador de hoje é bem diferente daquele trabalhador de 1886 que foi para as ruas em Chicago e dos desdobramentos de sua luta surgiu o primeiro de maio como dia internacional do trabalhador.

A exploração da mão-de-obra tem muitas camadas a serem exploradas. Vai do motorista de aplicativo que jura ser o próprio patrão à romantização do trabalho precarizado e informal como sendo uma forma de empreendedorismo (sic), quando na verdade é a busca nua e crua por sobrevivência.

A falta de consciência de classe faz com que miserável pense que é pobre, pobre pense que é classe média e classe média pense que é burguês, dono dos meios de produção. E o mundo capitalista continue girando em torno do lucro e da concentração de riquezas. Além do desejo de consumir mais em menos tempo.

A luta de classes sempre existiu, não foi Karl Marx quem inventou, embora tenha sido ele quem a estudou e deixou uma vasta obra a respeito; e com certeza ela não cessará enquanto a propriedade dos meios de produção permanecer com algum dono (seja ele o Estado, empresas ou indivíduos).

Em tempos de "uberização", "pejotização", precarização das relações de trabalho, aumento da idade para aposentadoria, e terrorismo contra o fim da escala 6 X 1, nós trabalhadores temos que ficar atentos e vigilantes, mesmo num dia frio e chuvoso. E quando for votar lembre-se: o candidato apoiado pelo seu patrão vai defender os interesses do seu patrão, não os seus que acorda cedo, trabalha como um burro de carga e ao final do mês está cansado, endividado e extropiado! O recado foi dado há mais de 150 anos: "trabalhadores, uni-vos". 👊👊👊

📖✍️ O autor é historiador da rede pública estadual de ensino, historiador, escritor; membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP), da União Brasileira dos Escritores (UBE-Paulista) e sócio benemérito do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). @josericardope01 nas principais redes sociais.

domingo, 19 de abril de 2026

⏳️ TIRANDO DÚVIDAS HISTÓRIA❓️Povos Indígenas ou Povos Originários 🤔

❓ 🧒🏼🧑🏽‍👴🏼 ❓

De alguns anos para cá costumou-se chamar os povos indígenas brasileiros de povos originários com a justificativa de que estes foram os primeiros habitantes do Brasil, antes da chegada dos colonizadores europeus em 1500, fato este que é historicamente incontestável. O termo "povos originários" se popularizou, e da academia (universidades, faculdades) às salas de aula, passando pelos movimentos sociais e meios de comunicação, hoje é comum tratar os povos indígenas por esta denominação. No entanto, apesar do modismo estabelecido, o termo "povos originários" não se sustenta a partir de uma análise geográfica, antropólogica e até mesmo histórica.

A partir da Demografia, que é a parte da Geografia, que trata especificamente das populações humanas, aprendemos que são considerados povos originários aqueles que surgiram num determinado território, chamados de autóctones, o que não é o caso dos indígenas brasileiros, que chegaram ao continente sul-americano a partir de duas correntes migratórias: uma vinda da América do Norte, pelo estreito de Bering; e outra vinda pelo oceano Pacífico e que foi ocupando a América Andina e alguns conseguiram ultrapassar as barreiras naturais e chegar ao Brasil. Ambas as correntes migratórias ocorreram em épocas diferentes, convém lembrar.

Antropologicamente, dizer que os indígenas são o povo originário do povo brasileiro é negar, diminuir, invizibilizar outras culturas que estiveram presentes na formação do que hoje chamamos de povo brasileiro, como por exemplo, portugueses, holandeses, franceses, holandeses, judeus, africanos trazidos como escravizados, etc. A supremacia da cultura branca, caucasiana e europeia sobre as demais no processo de formação do povo brasileiro é evidente a partir da submissão de indígenas e africanos aos valores, costumes, crenças e ideias trazidas pelos colonizadores.

Ao argumento acima exposto, ancorado pela Antropologia, coloque-se também que historicamente falando os indígenas não foram os únicos na origem do que hoje pode se chamar de povo brasileiro. Apesar de soar bonito e atender à agenda do politicamente correto, chamar os povos indígenas de povos originários soa muito mais como lacração epistemológica do que como conceito validado pela Academia e pelas ciências humanas e sociais. Apesar de nem todo mundo concordar, e é claro que a maioria não concordará com o que escrevi aqui, convém lembrar que não se faz ciência com desonestidade intelectual, mesmo quando esta vem travestida com o verniz da representantividade dentro de uma pauta identitária que não dialoga com os conceitos que aprendemos da Demografia, da Antropologia e da História. 📕📘📗

#povosindigenasbrasileiros
#nacoesindigenasbrasileiras
#diadospovosenacoesindigenas

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

✝️⛪️🤔 EM BUSCA DO JESUS HISTÓRICO 😇📿✝️


por José Ricardo de Souza*

Às sextas-feiras da chamada Semana Santa para os cristãos, principalmente aqueles que seguem o Catolicismo, enquanto ex-religioso e agora adepto (se é que podemos chamar assim) do ateísmo, me pergunto: afinal, quem é Jesus Cristo? Não me refiro ao deus que virou homem e morreu crucificado, ressuscitando ao terceiro dia, ao qual os dogmas religiosos não deixam quaisquer margens para dúvidas ou contestações; mas sim ao personagem histórico, ao Jesus que existiu na Galileia, àquele líder religioso que inspirou a maior das religiões abraâmicas, deixou um legado cultural, artístico, político para a humanidade, e está na pauta de debates que vão da Teologia à Ciência Política, passando, é claro, pela História.

Ao crente, ao fiel, ao adepto do Cristianismo, nada do que for escrito aqui terá validade. Eles já tem a sua verdade, e esta cita um Messias que foi recebido como um rei, ceou com seus discípulos, foi preso pelos sacerdotes e fariseus, flagelado, condenado à morte por crucificação, e ressuscitou aparecendo primeiro às mulheres, depois aos apóstolos e finalmente voltou para os céus de onde prometeu um dia retornar. Enquanto esteve na terra, fez milagres, curou doentes, ressuscitou mortos, seguiu o Judaísmo, e teve embates com os poderosos. Andou com pecadores, prostitutas, cobradores de impostos, e todo tipo de gente proscrita na sua época.

Os evangelhos (mais de vinte ao todo, embora apenas quatro foram incorporados ao cânon sagrado) foram escritos após a sua morte a partir de depoimentos, de tradições orais, do famoso “ouvi dizer”. Nenhum deles foi testemunha ocular dos fatos enquanto eles ocorreram, o que já abre uma brecha para futuras contestações. A religião resolveu isso a partir do critério de que estes livros foram escritos por pessoas “inspiradas” por Deus, o que é um adjetivo bem subjetivo. Aliás, a fé é subjetiva, a crença é subjetiva, e tudo isso só torna forma quando a religião institui o rito que cria o significado e a presença do sagrado.

O único relato histórico da existência de Jesus Cristo aparece na obra História dos Judeus, do historiador romano Flávio Josefo, o qual cita um certo Yeshua (nome aramaico de Jesus) descrevendo-o como um homem sábio, realizador de feitos notáveis, que foi crucificado por Pilatos a pedido de líderes judeus e cujos seguidores relataram sua ressurreição (Livro 18, capítulo 3, seção 3 de Antiguidades Judaicas). Bingo então para quem quer uma prova histórica da existência de Cristo? Ainda não meus caros. Há quem defenda a tese de que o trecho tenha sido acrescentado apocrificamente nos escritos de Josefo durante a Idade Média.

Jesus Cristo não existiu então? Nenhum historiador sério vai assegurar isso! Não por medo, ou por receio da repercussão, mas por honestidade intelectual mesmo. Ninguém em sã consciência nega que um homem chamado Jesus realmente viveu na Galileia, mas existe uma diferença entre o Jesus dos religiosos e o Jesus histórico. Se para os religiosos os maiores milagres de Jesus foram curar cegos e doentes, fora ressuscitar mortos; para nós historiadores o maior feito dele foi falar de amor numa sociedade que privilegiava a guerra, foi se colocar do lado dos oprimidos numa terra ocupada e invadida por uma nação estrangeira, foi deixar uma mensagem que atravessou os séculos e foi capaz de dividir até mesmo o calendário.

Esqueça os estereótipos caucasianos do Jesus Cristo de longos cabelos e olhos azuis (isso tudo é uma convenção que vem da Idade Média, mais precisamente da iconoclastia bizântina). O Jesus real tinha muito mais melanina na pele do que imaginamos. A Arqueologia forense já cantou esta pedra. Jesus talvez se parecesse mais com o pedreiro da casa de dona Maria do que com aquela imagem que todo ano as pessoas carregam nas procissões. E o que isso muda em sua mensagem? Em nada! Absolutamente nada.


Sexta-feira santa podia ser um dia como outro qualquer para quem não acredita, ou para quem não segue o Cristianismo como religião. Entretanto, é impossível não parar para pensar no Jesus crucificado. Seja no Messias esperado por Israel ou no homem simples da carpintaria de José que sacudiu o mundo com uma filosofia que ia além da crença: falava de empatia, tolerância, justiça, solidariedade e sobretudo de amor ao próximo. Impossível não se deixar seduzir por Jesus Cristo, independente de acreditar na sua divindade ou não. A sua mensagem é mais forte do que a dúvida que todo ateu carrega em seu coração.

*O autor é professor da rede pública estadual de ensino; historiador e escritor. Sócio do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP). Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais.

sábado, 21 de março de 2026

💣💥 HAVERÁ UMA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL? 🤔😱

por José Ricardo de Souza*

Quando o estudante sérvio Gravilo Princip assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro em 28 de junho de 1914 na cidade de Saravejo, na Bósnia, é provável que ninguém imaginava que aquele atentado seria o estopim de uma grande guerra, que se arrastou por quatro anos (1914-1918), deixando 20 milhões de mortos, marcou a estreia da metralhadora, do submarino e dos gases tóxicos nas guerras, e mudou o mapa geopolítico mundial com o fim de impérios como o Austro-húngaro e o surgimento de potências como os Estados Unidos (na verdade, o grande vencedor da Primeira Guerra Mundial).

O mesmo raciocínio é válido em 1939 quando tropas nazistas ultrapassaram a fronteira da Polônia. Ninguém que viveu naquela época imaginava que seria o começo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que nunca mais o mundo seria o mesmo após os bombardeios atômicos sobre Hiroshima e Nagasaki e a possibilidade real da aniquilação da espécie humana.

Voltando para o presente, podemos nos perguntar: estamos vivenciando o começo da Terceira Guerra Mundial após os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o regime teocrático xiita iraniano em 28 de fevereiro de 2026 que resultou na morte do líder máximo Ali Khamenei e de dezenas de membros do seu governo? Ou será que esta guerra começou ano passado quando os Estados Unidos conseguiram bombardear a usina nuclear iraniana de Fordow em 221 de junho de 2025?

Estabelecer marcos históricos nunca foi uma tarefa fácil para nós, historiadores, porque a História, ou melhor o processo histórico é contínuo, não avisa quando começa e quando termina uma fase, uma era ou um período. E ainda qualquer tentativa de periodização pode ser questionada.

O que podemos afirmar, sem receio de errar, é que o conflito atual entre Estados Unidos e Irã carrega consigo elementos presentes nas duas grandes guerras mundiais (assustador isso, não?) com uma pitada tecnológica do século XXI (drones e uso de IA) capazes de fazer a panela de pressão geopolítica Mundial explodir a qualquer momento.

Qualquer manual de História vai citar que algumas das origens da Primeira Guerra Mundial foram o choque de imperialismo, a corrida armamentista, a busca e controle de novas fontes de matérias-primas e os chamados conflitos localizados (Crise nos Balcãs e a Questão do Marrocos). Qualquer semelhança com o antigo embate entre Irã e Israel, o desejo dos Estados Unidos de controlar o petróleo iraniano, o fortalecimento da indústria bélica iraniana que busca desenvolver sua própria bomba atômica e o choque entre as pretensões de Trump e do agora finado Khamenei a respeito do Oriente Médio não são meras coincidências com o cenário geopolítico mundial pré-1914 ou do início do século XX lembrando que o estopim da Primeira Guerra Mundial foi um atentado que matou um chefe de Estado, ou melhor futuro chefe de Estado.

Comparações entre fatos e personagens históricos fora da época em que viveram sempr Khamenei e será algo arbitrário e bem discutível, quando não, algo bem anacrônico. Mas o que dizer das semelhanças e coincidências entre a atual politica externa norte-americana de Trump e o expansionismo nazista de Adolf Hitler no continente europeu nos anos 30 do século passado? Resguardadas as devidas proporções de tempo e de espaço Trump e Hitler redesenham o mapa geopolítico a partir da lógica do fortalecimento belicoso e militarista de seus estados nacionais, pouco se importando se para isso o unilateralismo dos organismos internacionais fosse um empecilho. Trump ignora a ONU, tanto quanto Hitler ignorava a Liga das Nações.

Já preciso me preocupar em comprar meu bunker ou ainda é cedo para isso? Quando devo começar a estocar alimentos e provimentos em casa? Quem vai detonar a primeira bomba nuclear? A China e a Rússia continuarão assistindo o circo, ops, ou melhor o mundo pegando fogo de camarote? (vai ver Putin já tem a Ucrânia para se preocupar e Xi Jinping deve andar às turras com Tawan esperando o melhor momento para anexá-la).

Estamos assistindo passivos, anestesiados com tantas notícias e acomodados com o discurso fundamentalista pentecostal ao começo do fim da espécie humana na Terra? Temos mais dúvidas que certezas. A roda da História tem rodado mais rápida do que o giro das metralhadoras na Primeira Guerra Mundial. O cenário é assustador, as coincidências falam mais alto do que as sirenes alertando os bombardeios e o mundo civilizado construído em alguns milênios pode mesmo estar com seus dias contados.

* O autor é professor da rede pública estadual de ensino, historiador e escritor. Sócio honorário do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), e sócio-fundador da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP). Criador do projeto Muita História pra Contar.


domingo, 1 de fevereiro de 2026

🎉😁📱 3000 SEGUIDORES NO INSTAGRAM. SOMOS 3K COM MUITO ORGULHO 📱😍🎉

🖥️ 💻 🖱️. 👨‍💻 🖱️ 💻 🖥️

📱🎉 Chegamos aos 3000 seguidores no nosso perfil do Instagram (@josericardope01), com 99% das postagens voltadas para o meu projeto de divulgação e disseminação de conhecimento histórico nas redes sociais: o MUITA HISTÓRIA PRA CONTAR. O perfil surgiu em 6 de outubro de 2018, ainda sem grandes pretensões de atingir as proporções que chegou. Em 26 de maio de 2021 conquistamos nosso primeiro 1 K – mil seguidores –  e em 11 de dezembro do mesmo ano, chegamos a miléssima postagem - atualmente conta com 4048 publicações.

O perfil do Instagram é um espaço a mais para o MUITA HISTÓRIA PRA CONTAR, chegando a um público mais jovem e adolescente que faz uso desta rede social, em sua maioria estudantes de ensino fundamental e médio. A cada postagem uma nova História é contada e relembrada, personagens importantes e relevantes são tirados do esquecimento, e mais pessoas têm acesso à informações sobre História que ficam, na maioria das vezes, apenas restritas às salas de aula.

Ao proporcionar este conhecimento sobre a História espero que estimule as pessoas a gostarem mais dessa ciência e procurarem saber mais sobre o passado, que diz mais sobre o presente do que imaginamos. Sob a inspiração de Clio, a musa dos historiadores, seguimos adiante na missão de contar histórias "para que os feitos dos homens não se percam nas névoas do tempo". A luta não apenas continua, mas ela é contínua; e o mar da História é agitado demais para dormirmos em berço esplêndido esperando o gigante acordar!💪🌊👊⏳🙅‍♂️🙅🏿‍♀️

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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

⏳📘 HISTÓRIA DE PERNAMBUCO NA GRADE CURRICULAR DAS ESCOLAS ESTADUAIS 📗⌛

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🗞️Saiu no Diário Oficial do dia 14 de janeiro de 2026 a nova grade curricular que contempla o ensino de História de Pernambuco nos anos finais do ensino fundamental (6° ao 9° ano) com 1 aula semanal - 160 anuais. A medida tem como base a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e reforça a necessidade de valorização dos aspectos regionais e locais na formação dos estudantes.

A publicação atende ao que foi anunciado pela governadora Raquel Lyra no dia 2 de julho de 2025 no Palácio do Campo das Princesas por ocasião do encerramento das comemorações do Bicentenário da Confederação do Equador. A implementação desta nova disciplina será vital para suprimir a lacuna que existia nos currículos escolares quanto a abordagem da História local, seus personagens, principais fatos e legados para as gerações fururas. Cumpre assim uma necessidade de proporcionar aos estudantes maiores conhecimentos sobre a rica História pernambucana. ⏳❤️⌛

#historianocurriculo
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