sexta-feira, 1 de maio de 2026

💪🗣👊 CRÔNICA DE UM DIA DO TRABALHADOR 💪📝👊

por José Ricardo de Souza*

Para quem esperava um feriadão de sol, praia e passeio, o que não era o meu caso, de caseiro que sou, a natureza entregou um dia frio e chuvoso, bom para ler um livro, como canta o Djavan, ou para escrever uma crônica, aproveitando a visita da inspiração literária logo ao acordar. Ao acessar as redes sociais me deparo com o retrocesso das últimas notícias e até parece que a natureza é solidária chorando copiosamente diante de uma semana de derrotas para quem espera um país mais livre, mais justo e menos desigual.

O que deveria ser um dia de luta virou dia de feriado. O que deveria ser dia de sair às ruas virou hoje (1°/5/26) uma sexta-feira com ruas alagadas e canais entupidos de lixo e baronesas, consequência da ocupação desordenada da cidade e de todos os reflexos de muito asfalto e pouca terra para acolher a água das chuvas.

O que comemorar num primeiro de maio? Muita coisa. Hoje temos salário-mínimo, férias remuneradas, direito ao repouso semanal, jornada de trabalho de oito horas, proteção contra demissão arbitrária, direito de organização sindical, etc. Tudo conquistado a duras penas. Direitos nunca são dados! Atrás de cada linha da C.L.T., que hoje virou uma expressão ofensiva para a chamada geração Z, tem um preso, um ferido, um morto que lutou para que outros pudessem gozar de benefícios que talvez nem ele pôde aproveitar.

A sociedade mudou, a tecnologia veio para ficar, e a realidade do trabalhador de hoje é bem diferente daquele trabalhador de 1886 que foi para as ruas em Chicago e dos desdobramentos de sua luta surgiu o primeiro de maio como dia internacional do trabalhador.

A exploração da mão-de-obra tem muitas camadas a serem exploradas. Vai do motorista de aplicativo que jura ser o próprio patrão à romantização do trabalho precarizado e informal como sendo uma forma de empreendedorismo (sic), quando na verdade é a busca nua e crua por sobrevivência.

A falta de consciência de classe faz com que miserável pense que é pobre, pobre pense que é classe média e classe média pense que é burguês, dono dos meios de produção. E o mundo capitalista continue girando em torno do lucro e da concentração de riquezas. Além do desejo de consumir mais em menos tempo.

A luta de classes sempre existiu, não foi Karl Marx quem inventou, embora tenha sido ele quem a estudou e deixou uma vasta obra a respeito; e com certeza ela não cessará enquanto a propriedade dos meios de produção permanecer com algum dono (seja ele o Estado, empresas ou indivíduos).

Em tempos de "uberização", "pejotização", precarização das relações de trabalho, aumento da idade para aposentadoria, e terrorismo contra o fim da escala 6 X 1, nós trabalhadores temos que ficar atentos e vigilantes, mesmo num dia frio e chuvoso. E quando for votar lembre-se: o candidato apoiado pelo seu patrão vai defender os interesses do seu patrão, não os seus que acorda cedo, trabalha como um burro de carga e ao final do mês está cansado, endividado e extropiado! O recado foi dado há mais de 150 anos: "trabalhadores, uni-vos". 👊👊👊

📖✍️ O autor é historiador da rede pública estadual de ensino, historiador, escritor; membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP), da União Brasileira dos Escritores (UBE-Paulista) e sócio benemérito do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). @josericardope01 nas principais redes sociais.