domingo, 19 de abril de 2026

⏳️ TIRANDO DÚVIDAS HISTÓRIA❓️Povos Indígenas ou Povos Originários 🤔

❓ 🧒🏼🧑🏽‍👴🏼 ❓

De alguns anos para cá costumou-se chamar os povos indígenas brasileiros de povos originários com a justificativa de que estes foram os primeiros habitantes do Brasil, antes da chegada dos colonizadores europeus em 1500, fato este que é historicamente incontestável. O termo "povos originários" se popularizou, e da academia (universidades, faculdades) às salas de aula, passando pelos movimentos sociais e meios de comunicação, hoje é comum tratar os povos indígenas por esta denominação. No entanto, apesar do modismo estabelecido, o termo "povos originários" não se sustenta a partir de uma análise geográfica, antropólogica e até mesmo histórica.

A partir da Demografia, que é a parte da Geografia, que trata especificamente das populações humanas, aprendemos que são considerados povos originários aqueles que surgiram num determinado território, chamados de autóctones, o que não é o caso dos indígenas brasileiros, que chegaram ao continente sul-americano a partir de duas correntes migratórias: uma vinda da América do Norte, pelo estreito de Bering; e outra vinda pelo oceano Pacífico e que foi ocupando a América Andina e alguns conseguiram ultrapassar as barreiras naturais e chegar ao Brasil. Ambas as correntes migratórias ocorreram em épocas diferentes, convém lembrar.

Antropologicamente, dizer que os indígenas são o povo originário do povo brasileiro é negar, diminuir, invizibilizar outras culturas que estiveram presentes na formação do que hoje chamamos de povo brasileiro, como por exemplo, portugueses, holandeses, franceses, holandeses, judeus, africanos trazidos como escravizados, etc. A supremacia da cultura branca, caucasiana e europeia sobre as demais no processo de formação do povo brasileiro é evidente a partir da submissão de indígenas e africanos aos valores, costumes, crenças e ideias trazidas pelos colonizadores.

Ao argumento acima exposto, ancorado pela Antropologia, coloque-se também que historicamente falando os indígenas não foram os únicos na origem do que hoje pode se chamar de povo brasileiro. Apesar de soar bonito e atender à agenda do politicamente correto, chamar os povos indígenas de povos originários soa muito mais como lacração epistemológica do que como conceito validado pela Academia e pelas ciências humanas e sociais. Apesar de nem todo mundo concordar, e é claro que a maioria não concordará com o que escrevi aqui, convém lembrar que não se faz ciência com desonestidade intelectual, mesmo quando esta vem travestida com o verniz da representantividade dentro de uma pauta identitária que não dialoga com os conceitos que aprendemos da Demografia, da Antropologia e da História. 📕📘📗

#povosindigenasbrasileiros
#nacoesindigenasbrasileiras
#diadospovosenacoesindigenas

🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

👉 Acesse os links das postagens do projeto Muita História pra Contar:

🖱️ https://linktr.ee/josericardope

⏳#muitahistoriapracontar⌛

sexta-feira, 3 de abril de 2026

✝️⛪️🤔 EM BUSCA DO JESUS HISTÓRICO 😇📿✝️


por José Ricardo de Souza*

Às sextas-feiras da chamada Semana Santa para os cristãos, principalmente aqueles que seguem o Catolicismo, enquanto ex-religioso e agora adepto (se é que podemos chamar assim) do ateísmo, me pergunto: afinal, quem é Jesus Cristo? Não me refiro ao deus que virou homem e morreu crucificado, ressuscitando ao terceiro dia, ao qual os dogmas religiosos não deixam quaisquer margens para dúvidas ou contestações; mas sim ao personagem histórico, ao Jesus que existiu na Galileia, àquele líder religioso que inspirou a maior das religiões abraâmicas, deixou um legado cultural, artístico, político para a humanidade, e está na pauta de debates que vão da Teologia à Ciência Política, passando, é claro, pela História.

Ao crente, ao fiel, ao adepto do Cristianismo, nada do que for escrito aqui terá validade. Eles já tem a sua verdade, e esta cita um Messias que foi recebido como um rei, ceou com seus discípulos, foi preso pelos sacerdotes e fariseus, flagelado, condenado à morte por crucificação, e ressuscitou aparecendo primeiro às mulheres, depois aos apóstolos e finalmente voltou para os céus de onde prometeu um dia retornar. Enquanto esteve na terra, fez milagres, curou doentes, ressuscitou mortos, seguiu o Judaísmo, e teve embates com os poderosos. Andou com pecadores, prostitutas, cobradores de impostos, e todo tipo de gente proscrita na sua época.

Os evangelhos (mais de vinte ao todo, embora apenas quatro foram incorporados ao cânon sagrado) foram escritos após a sua morte a partir de depoimentos, de tradições orais, do famoso “ouvi dizer”. Nenhum deles foi testemunha ocular dos fatos enquanto eles ocorreram, o que já abre uma brecha para futuras contestações. A religião resolveu isso a partir do critério de que estes livros foram escritos por pessoas “inspiradas” por Deus, o que é um adjetivo bem subjetivo. Aliás, a fé é subjetiva, a crença é subjetiva, e tudo isso só torna forma quando a religião institui o rito que cria o significado e a presença do sagrado.

O único relato histórico da existência de Jesus Cristo aparece na obra História dos Judeus, do historiador romano Flávio Josefo, o qual cita um certo Yeshua (nome aramaico de Jesus) descrevendo-o como um homem sábio, realizador de feitos notáveis, que foi crucificado por Pilatos a pedido de líderes judeus e cujos seguidores relataram sua ressurreição (Livro 18, capítulo 3, seção 3 de Antiguidades Judaicas). Bingo então para quem quer uma prova histórica da existência de Cristo? Ainda não meus caros. Há quem defenda a tese de que o trecho tenha sido acrescentado apocrificamente nos escritos de Josefo durante a Idade Média.

Jesus Cristo não existiu então? Nenhum historiador sério vai assegurar isso! Não por medo, ou por receio da repercussão, mas por honestidade intelectual mesmo. Ninguém em sã consciência nega que um homem chamado Jesus realmente viveu na Galileia, mas existe uma diferença entre o Jesus dos religiosos e o Jesus histórico. Se para os religiosos os maiores milagres de Jesus foram curar cegos e doentes, fora ressuscitar mortos; para nós historiadores o maior feito dele foi falar de amor numa sociedade que privilegiava a guerra, foi se colocar do lado dos oprimidos numa terra ocupada e invadida por uma nação estrangeira, foi deixar uma mensagem que atravessou os séculos e foi capaz de dividir até mesmo o calendário.

Esqueça os estereótipos caucasianos do Jesus Cristo de longos cabelos e olhos azuis (isso tudo é uma convenção que vem da Idade Média, mais precisamente da iconoclastia bizântina). O Jesus real tinha muito mais melanina na pele do que imaginamos. A Arqueologia forense já cantou esta pedra. Jesus talvez se parecesse mais com o pedreiro da casa de dona Maria do que com aquela imagem que todo ano as pessoas carregam nas procissões. E o que isso muda em sua mensagem? Em nada! Absolutamente nada.


Sexta-feira santa podia ser um dia como outro qualquer para quem não acredita, ou para quem não segue o Cristianismo como religião. Entretanto, é impossível não parar para pensar no Jesus crucificado. Seja no Messias esperado por Israel ou no homem simples da carpintaria de José que sacudiu o mundo com uma filosofia que ia além da crença: falava de empatia, tolerância, justiça, solidariedade e sobretudo de amor ao próximo. Impossível não se deixar seduzir por Jesus Cristo, independente de acreditar na sua divindade ou não. A sua mensagem é mais forte do que a dúvida que todo ateu carrega em seu coração.

*O autor é professor da rede pública estadual de ensino; historiador e escritor. Sócio do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP). Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais.