sábado, 15 de outubro de 2011

AOS MESTRES, COM CARINHO


por José Ricardo de Souza*

Se você hoje é um médico, um advogado, um engenheiro, um jornalista, ou seja lá qual for a profissão, lembre-se de que isso só foi possível porque você teve professores que lhe ensinaram o caminho. O que seria de nós, se não existissem esses profissionais do ensino, que mesmo diante de tantas dificuldades, tentam dar o melhor de si, para que cada aluno se torne um profissional sério e competente ? Deveríamos ser eternamente gratos aos nossos professores. A nossa carreira profissional, o nosso desempenho, e até mesmo o nosso sucesso numa determinada área ou atividade está diretamente relacionada ao trabalho árduo e paciente de nossos professores. A educação é fundamental para a cidadania. Entretanto, sem professores, não há educação. E sem educação, o país não cresce, as pessoas não evoluem, o mundo não melhora.

Infelizmente, no Brasil, professores não são valorizados como deveriam. O sistema de ensino vigente está sucateado, atrelado aos interesses poucos escusos dos poderosos, falido em sua essência. As escolas não funcionam como deveriam. Falta infra-estrutura, materiais didáticos, suporte técnico e humano, capaz de capacitar os professores para desenvolverem um trabalho de qualidade. Sobram problemas, que aparentemente não tem solução, são as salas de aula superlotadas, o pó de giz a corroer a goela, alunos desinteressados (porque os professores são obrigados a repassar conteúdos desinteressantes), a excessiva jornada de trabalho (que muitas vezes inclui três turnos contínuos de aulas), dentro e além da sala de aula (correção de provas, elaboração de aulas, pesquisas, etc).

A questão da remuneração é apenas um detalhe para os patrões, quer sejam os da escola pública ou privada. O governo, insiste em nivelar por baixo os salários dos professores, daí o porquê das sucessivas greves e paralisações na rede pública. Nas escolas privadas, educação rima com lucro, apenas para os donos dos estabelecimentos, que enriquecem cada vez mais, enquanto os professores continuam amargando perdas e mais perdas salariais. Sem uma remuneração decente, professor nenhum consegue se manter informado e atualizado como deveria, pois como comprar livros, ler jornais e revistas, ter seu próprio computador com acesso à Internet, com tão poucos recursos financeiros ? Ainda que quisesse, seria preciso fazer malabarismos para suprir essa necessidade de auto-capacitação, e manter também sua família, sua casa, enfim ter uma vida pessoal condizente com sua formação intelectual.

Quem convive diariamente com a rotina das salas de aula, merece mesmo um prêmio especial, pela sua coragem, ousadia, desprendimento. Afinal, quem quer ser professor hoje em dia ? Pouquíssimas pessoas, aceitam esse desafio, porque ensinar é um dom que pouca gente possuí, e ensinar num país que desvaloriza o professor, com é o caso do Brasil, é apostar nas mínimas condições de trabalho e renda para querer tirar o máximo de seus alunos, de suas aulas, a fim de provocar as mudanças necessárias para a construção de uma sociedade digna e justa.

Parabéns a todos os professores, verdadeiros mestres, no sentido de apontar os caminhos e alargar as perspectivas de nosso futuro. Para todos, deixo o meu mais profundo carinho e respeito, também minha admiração. Afinal, um pouco do que sou hoje, devo a todos aqueles que passaram pela minha carreira estudantil, quer seja na escola regular ou nos bancos da faculdade. Dizia um antigo provérbio que a tendência do discípulo é sempre superar o mestre, aprimorando cada vez mais aquilo que lhe foi ensinado. Tomara que um dia, os estudantes, o governo, a sociedade, enfim compreenda o sentido profundo deste provérbio. Se um dia, o Brasil melhorar, diminuir suas gritantes desigualdades sociais, e mais pessoas tiverem consciência política dos destinos da nação, com certeza, ficaremos devendo isso aos nossos professores, eles, pois que abriram o caminho, e possibilitaram as mudanças, acreditaram nas transformações, fizeram da utopia distante, um ideal possível e realizável. Viva os professores, educadores e mestres do Brasil!

* O autor é historiador e professor da rede pública de ensino.

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