sábado, 22 de novembro de 2025

⏳🎙 SAGAS PERNAMBUCANAS - Voz e Força do Povo - 2a Temporada 😍🎧

🎧 📱 ⏳ 💻 🤓

🎙🕰 Já está disponível a segunda temporada completa do Podcast SAGAS PERNAMBUCANAS que neste ano traz o tema ‘Voz e Força do Povo - A história de Pernambuco Como Você Nunca Ouviu’. O lançamento foi anunciado durante o Seminário “Alepe 190 Anos: História, Cidadania e Representação na Casa do Povo Pernambucano", realizado no auditório Sérgio Guerra em 23 de outubro deste ano.

A produção é o primeiro podcast narrativo criado por uma assembleia legislativa no Brasil. Idealizado pelo jornalista André Zahar, que divide a locução com Clarissa Falbo, o projeto contou com ampla pesquisa realizada na Biblioteca da Alepe e em acervos históricos.

"Esse projeto é voltado para a construção da memória coletiva, para que as pessoas conheçam a própria história e possam se inspirar e referenciar nela. Um dos objetivos é o de valorizar a nossa memória institucional e o acervo da nossa assembleia. Ao escolhermos o formato histórico-narrativo, a proposta era fazer com que  as pessoas se sentissem dentro dos fatos históricos e transformassem a história em corpo e voz", explicou Zahar.

A professora Audenice Zacarias ressaltou a contribuição do podcast para a educação pública no estado. “Para nós, o Sagas Pernambucanas é muito importante, pois finalmente o Governo de Pernambuco trará estudos direcionados para a história do Estado a partir do ano que vem, mas ainda não temos o material disponível para a educação básica”, lamentou.

De acordo com a professora, o podcast será importante não somente para os alunos recifenses, mas dará uma contribuição para a educação pública de Pernambuco de uma forma geral. Com episódios inéditos disponíveis nas principais plataformas de áudio, a produção retrata a luta popular por democracia e direitos sociais. No YouTube, os links estão abaixo relacionados:

🗳  Ep. 1 - Abertura dos trabalhos


👊 Ep. 2 - Madeira de lei que cupim rói


😕 Ep. 3 - A ressaca da república


👩‍🦱 Ep. 4 - Divas da política pernambucana


🔰 Ep. 5 - O golpe em Pernambuco


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#podcastdehistoria
#historianasredessociais
#historiadepernambuco

🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo de Souza 🖋 professor e historiador.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

❌🧔🏽 O RACISMO NOSSO DE CADA DIA 😠😤


*por José Ricardo de Souza

Antes que comecem a ler este artigo, aviso de antemão que este não é meu lugar de fala, enquanto indivíduo de cor branca, que atende aos padrões caucasianos, mas com ascendentes indígenas e afro-brasileiros. Mas quem disse que é preciso ser negro, pardo ou mestiço para se colocar contra o racismo, a segregação racial e o preconceito à cultura e à religiosidade afro-brasileiras? Considero urgente e necessária este debate, que muitas vezes se transforma em embate, num país que se sustentou durante quatro séculos com mão-de-obra escravizada e que ainda não acertou suas devidas contas com o passado.

Se por um lado não tivemos um regime institucional de segregação racial como a apartheid sul-africano ou grupos supremacistas como a Ku-Klux-Kan dos Estados Unidos, nem por isso podemos suavizar ou relativizar o preconceito racial como fizeram Gilberto Freyre e Monteiro Lobato em suas obras, mas atentar para um lado ainda mais perigoso: a negação do racismo presente nas relações, instituições e estruturas sociais. A maioria das pessoas assumem que não são racistas, mas não negam que conhecem alguém que o seja, um amigo, vizinho, parente, etc. Essa percepção que atribuí o racismo sempre ao “outro” e nunca a “nós mesmos” é apenas uma forma de negar o óbvio: sim, a maioria da população brasileira é racista, embora não assuma isso explicitamente, mas de formas sutis e aparentemente inofensivas.

Seja por vocábulos, como lista negra, ovelha negra, “serviço de preto”, denegrir, etc.; pela perseguição à cultura afro e suas manifestações, como o rap, o funk, a dança de rua, a batalha de rimas; ou pela intolerância à religiosidade de matriz afrobrasileira, que é demonizada principalmente pelas denominações neopentecostais, vemos claramente o quanto a comunidade negra é discriminada, perseguida, silenciada e invisibilizada em vários aspectos. Quantos médicos negros você conhece? Quantos filhos de negros estudam nas melhores escolas privadas? Não é por acaso que os exemplos das perguntas acima são ínfimos, raros, e costumam ser exceções e não regra!

O debate antirracista precisa ser feito diariamente, coletivamente e insistentemente. Não se trata apenas de reparação histórica ou de vitimismo social, como apregoam esquerda e direita, respectivamente, mas de uma necessidade crucial para a construção de uma sociedade que respeite a diversidade de etnias, culturas, e religiosidades que durante séculos formaram o povo brasileiro, que é multirracial, miscigenado, e multifacetado. Quando o preconceito é a regra, a exclusão é a consequência. Racismo nem deveria existir. E se existe, é para ser combatido, rejeitado e banido da nossa sociedade.

* O autor é historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor e criador do projeto Muita História pra Contar. Sócio do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico e Antropológico da Cidade do Paulista (IHGAAP). Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP).


sábado, 15 de novembro de 2025

💪🙋🔰 A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL 🔰🙋👊

por José Ricardo de Souza*

No dia 15 de novembro de 1889, quando as tropas militares comandadas pelo marechal Deodoro da Fonseca ocuparam o Palácio Imperial e anunciaram a deposição de D. Pedro II, tivemos o fim do Império brasileiro e o advento da República. A palavra República tem origem latina (vem de res publica) e pode ser traduzida como "coisa pública", embora sua instauração no Brasil foi feita não foi feita pelo povo, mas por membros da oligarquia rural e setores do Exército, que embora defendessem interesses distintos, se uniram num projeto político comum para derrubar o Império. A idéia de República não era nova no Brasil, remonta aos tempos coloniais, sendo a Capitania de Pernambuco privilegiada neste item, pois partiu daqui, mais precisamente de Bernardo Vieira de Melo, o primeiro "Grito de República", no antigo Senado e Câmara da Vila de Olinda, em 10 de novembro de 1710, durante o tempestuoso conflito intitulado "Guerra dos Mascates". O feito é citado por Oscar Brandão da Rocha na letra do Hino de Pernambuco: "a República é filha de Olinda".

Os pernambucanos levantaram a bandeira republicana outras vezes: em 1817, durante a Revolução Pernambucana, na Confederação do Equador (1824) e na Revolução Praieira (1848-1850). As Conjurações Mineira (1789) e Baiana (1798), as revoltas regenciais da Cabanagem (1835-1840) e Farroupilha (1835-1845) foram outros movimentos de orientação republicana, sendo todos eles sufocados por forças legalistas, leais à metrópole ou ao império brasileiro. O processo de ruptura com a ordem imperial nasceu em meados do século XIX com as transformações sociais e econômicas surgidas no Brasil, que paulatinamente passava por um tímido processo de industrialização e crescimento das cidades, o que favoreceu à formação de novos grupos sociais, como as médias camadas urbanas. O controle político ainda era centralizado na figura do Imperador D. Pedro II, e disputado pelos partidos conservador e liberal, embora ambos representassem a oligarquia rural, proprietária de terras e de escravos.

Após a Guerra do Paraguai (1865-1870) o recém-formado Exército brasileiro passou a reivindicar maior participação na ordem política do país, o que foi veementemente negado. As lutas pela abolição da escravatura tomaram amplitude nas discussões políticas e ideológicas, sob influência velada do governo inglês interessado em transformar ex-escravos em trabalhadores assalariados, portanto possíveis consumidores das mercadorias inglesas que invadiram o mercado brasileiro na época. O governo imperial prometia uma abolição, embora "lenta e gradual" para não ferir os interesses dos cafeicultores. O envolvimento de alguns padres católicos com a Maçonaria foi alvo de conflito com o Império. Em obediência ao papa Pio IX, os bispos de Olinda, Dom Vital, e do Pará, Dom Macedo, puniram padres que participavam da Maçonaria, sendo por isso presos e condenados à trabalhos forçados. Assim se delinearam os três suportes ideológicos do movimento republicano: a questão militar, a questão abolicionista e a questão religiosa.

A articulação política dos republicanos foi formalizada na Convenção de Itu em 1873, onde foi fundado o poderoso Partido Republicano Paulista - PRP. O local escolhido para a reunião, um casarão de uma ilustre família de cafeicultores paulista, os Almeida Prado davam uma dimensão do que estava para acontecer. Os republicanos expuseram suas propostas num documento intitulado "Manifesto Republicano", onde se lê "somos da América e queremos ser americanos", numa clara referência que, com exceção do México, o Brasil foi o único país das Américas a adotar o regime monárquico após a emancipação política da metrópole portuguesa.

O colegiado militar recebeu influências do Positivismo francês do filósofo Augusto Conte, que inspirou o lema da bandeira republicana "ordem e progresso" – uma versão compacta do lema desta escola filósofica: "o amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim" – e defendia um Estado forte para promovê-lo sem grandes rupturas com a ordem social existente. Ainda havia a questão da sucessão, uma vez que a princesa Isabel era casada com Gastão de Orléans, o Conde D'Eu, de origem francesa e de má fama após as atrocidades cometidas por ele na Guerra do Paraguai, como executar prisioneiros e incendiar hospitais de campanha.

O desenrolar dos acontecimentos após estes fatos foram meticulosamente articulados para colocar as tropas contra o imperador. Primeiro, a adesão de lideranças civis, como Quintino Bocaiúva, Francisco Glicério, Aristides Lobo, Rui Barbosa, Silva Jardim, entre outros com os principais chefes militares, o próprio Deodoro da Fonseca, Benjamin Constant (positivista convicto) e Solón Ribeiro. A partir daí bastaram boatos sobre supostas prisões de militares republicanos para desencadear o golpe militar. Às nove horas do dia 15 de novembro de 1889, o Visconde de Ouro Preto, chefe do governo imperial, é comunicado oficialmente do fim do Império brasileiro. No dia seguinte, dom Pedro II e sua família são exilados para a Europa. Dom Pedro II viria a falecer dois anos depois em Paris, esquecido e abandonado.

Concluindo, podemos afirmar que a República brasileira nasceu de um golpe militar, articulado pelos cafeicultores desafetos com a abolição da escravatura, e articulado pelos militares da linha positivista. Em nenhum momento, houve qualquer indício de participação popular, como bem salientou o jornalista Aristides Lobo: "o povo assistiu bestializado".

O Brasil republicano, pouco mudou para a maioria da população, que continuou empobrecida e excluída das decisões e dos grandes processos nacionais. Os donos do poder continuaram os mesmos, ou seja, era a oligarquia latifundiária comprometida com o capitalismo internacional, leia-se capitalismo inglês na época. A continuidade do governo republicano revelou mais adiante muitas manifestações contrárias aos desmandos do governo: Revoltas da Armada, Revolução Federalista, Guerra de Canudos, Guerra do Contestado, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata, Tenentismo, e finalmente a Revolução de 1930, que pôs fim à chamada República Velha.

Das camadas mais populares às classes médias urbanas, dos antigos membros da Armada imperial até os jovens "tenentes", e até mesmo alguns republicanos históricos, que se decepcionaram com os rumos que a República tomou, podemos dizer que houve uma grande insatisfação com a mudança do regime, que embora prometesse uma entrada digamos mais moderna para o século XX, acabou entregando um período turbulento, com muitas insatisfações, revoltas, golpes, crises econômicas e muita desigualdade social. Não foi realmente a República com a qual muitos sonharam e lutaram.

* O autor é historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor e criador do projeto Muita História pra Contar. Sócio do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico e Antropológico da Cidade do Paulista (IHGAAP). Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP).

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

💪👊🙋 A REPÚBLICA É FILHA DE OLINDA 🙋👊💪


por José Ricardo de Souza*

Quem passa na rua Bernardo Vieira de Melo, no centro histórico da cidade de Olinda, talvez não perceba em frente ao Mercado da Ribeira, um pedaço bem espesso de uma antiga parede, o que restou do antigo Senado olindense, um monumento pouco convencional, mas de grande importância e significado histórico. Foi ali naquele local, no dia 10 de novembro de 1710 que pela primeira vez nas Américas foi ventilada a ideia de um governo republicano, em pleno período colonial e dentro de um conflito pouco conhecido e estudado chamado Guerra dos Mascates (1710-1711), que colocou em lados opostos a cidade de Olinda e sua co-irmã, a vizinha Recife.

Após a expulsão dos holandeses de Pernambuco (1654), a economia agromanufatureira entrou em crise por conta da concorrência externa do açúcar antilhano, que era comercializado pelos holandeses. Apesar da crise econômica, a oligarquia rural e escravista mantinha seu poder na capitania, ocupando cargos importantes no Senado e na Câmara de Olinda, onde tinham imóveis e controlavam a política local.

Enquanto isso, o Recife confirmava sua vocação para o comércio e cidade portuária, ocupada principalmente por portugueses e seus descendentes, que se enriqueciam com a venda de produtos importados da Europa, mas eram vistos com desprezo pelos olindenses, que lhes atribuíram um apelido pejorativo de “mascates”. Vale salientar que foram os portugueses endinheirados que emprestaram recursos aos senhores de engenho olindenses, que ficaram muito endividados, mas não  queriam perder a postura aristocrática de “donos da terra e de escravos”.

A gota d’água para estourar o conflito foi a colocação do pelourinho no Recife pelo governador Sebastião de Castro e Caldas em 14 de fevereiro de 1710, atendendo a uma solicitação antiga dos recifenses, que queriam a autonomia da cidade. O gesto foi considerado uma provocação para os olindenses que queriam manter Olinda como vila e sede da capitania e eles decidiram ir até às últimas consequências, incluindo a luta armada, para garantir isso.

É nesse contexto de conflito interno que Bernardo Vieira de Melo propôs no antigo Senado da Câmara olindense, durante a sessão de 10 de novembro de 1710, a criação de uma república na cidade, ideia que nunca tinha sido pautada antes no continente americano, que na época era um grande conglomerado de colônias de países europeus – portugueses, espanhóis, ingleses, holandeses e franceses – em sua maioria colônias de exploração, cuja finalidade eram fornecer matérias-primas e produtos primários ou semi-manufaturados aos mercados europeus. O fato histórico é citado por Oscar Brandão da Rocha na letra do Hino de Pernambuco: "a República é filha de Olinda".

A república de Vieira de Melo pouco tinha a ver com ideais republicanos que hoje conhecemos, como liberdade, democracia ou justiça social, pois o que ele queria mesmo era uma república aos moldes venezianos, oligárquica, elitista e pouco democrática, que representasse os interesses dos grandes senhores de engenho pernambucanos; mas já era visível o desejo de tornar Pernambuco independente de Portugal, com autonomia política-administrativa, maior do que aquela oferecida pela Coroa quando elevou Recife à categoria de vila em 19 de novembro de 1709.

A ideia de criar uma república num território dominado por uma metrópole europeia não vingou, aliás, provocou uma reação repressora dos portugueses que prenderam Vieira de Melo e mandaram-no para Lisboa, onde veio a falecer de uma forma bem inusitada em 1714. Ele estava preso num calabouço escuro e úmido e acendeu um fogareiro que encheu o ambiente fechado com fumaça, provocando sua morte por sufocamento.

Bernardo Vieira de Melo não foi esquecido, e virou nome de ruas e avenidas em Olinda e no Rio Grande do Norte, onde ele chegou a ser governador durante alguns anos. A Guerra dos Mascates terminou sem vencedores, nem vencidos, mas deixou uma brecha aberta para a mudança definitiva da capital da, então província, de Pernambuco para Recife em 1837. A cidade de Olinda teve seu o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade foi tombado pelo IPHAN em 1968, e se tornou patrimônio cultural da humanidade em 1982, quando foi inscrita na lista da UNESCO.

O sonho de Vieira de Melo seria acalentado mais adiante nas Conjurações Mineira de 1789 e Baiana de 1798, e novamente entre os pernambucanos em 1817, quando lograram realizar este ideal por 75 dias. Alguns historiadores e estudiosos citam o período regencial (7 de abril de 1831 a 23 de julho de 1840) como sendo uma experiência republicana, uma vez que o país passou a ser governado por pessoas não ligadas à sucessão dinástica dos Braganças. Foi um período turbulento, com muitas revoltas de norte a sul do país – Cabanagem, Balaiada, Sabinada, Farroupilha, Malês – e com a presença de um pernambucano no poder: Pedro de Araújo Lima, nascido no Engenho Antas (PE), distrito de Serinhaém.

A experiência republicana no Brasil só viria a se realizar permanentemente em 1889 quando o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos militares positivistas e dos cafeicultores paulistas, deram um golpe de Estado que pôs fim ao Império que estava sob o comando do Imperador D. Pedro II

* O autor é professor da rede pública estadual de ensino, historiador, escritor e pesquisador. Membro da ALAP, IAHGP, IHGAAP e da UBE-Paulista. Criador do projeto Muita História pra Contar. ⌛

domingo, 2 de novembro de 2025

👊📚👊🏾 MINHA SOLIDARIEDADE A PROFESSORA JAQUELINE MUNIZ 👊🏿📝👊🏼

🕵📚 Nos últimos anos venho dedicado algumas horas do meu dia a estudar a ascensão da extrema-direita, não apenas no Brasil, mas também no mundo; o que querem, quem são, quais suas estratégias, e por que seu discurso ganha eco, principalmente nas camadas mais empobrecidas.

Umas das estratégias mais usadas por ele é a DESQUALIFICAÇÃO da pessoa ou do lado PROFISSIONAL da pessoa que se coloca contra aquilo que eles defendem. E fazem isso atacando não as ideias, mas a aparência, o trabalho, ou a área em que aquela pessoa atua.

Exemplos disso temos às dezenas. Os mais recentes são Júnior (da dupla Sandy e Júnior), Alcione, Zé Ramalho por seus posicionamentos contrários ao autoritarismo da extrema-direita.

A bola da vez é Jacqueline Muniz, por causa das inúmeras entrevistas sobre o massacre que foi a operação contenção com mais de 120 mortos, a maioria negros e favelados, novidade nenhuma quando vemos o projeto de necropolítica que esse grupo defende.

Apesar de ser uma pessoa com formação superior, com doutorado inclusive, ela vem sendo atacada por influencers, youtubers, e perfis de extrema-direita com todo tipo de ofensa. Essas postagens aparecem do nada no feed das pessoas, porque são impulsionadas (alguém está pagando, e caro, por isso) para que cheguem ao maior número de pessoas possível (viu como precisamos falar sobre regulação das redes sociais?). Fora, é claro, as dezenas de memes disseminados nos grupos de zap e Telegram, a bolha preferida dos neofascistas.

Enquanto profissional de ciências humanas, professor, historiador, pesquisador, membro de institutos históricos e de academias de letras, não poderia deixar de prestar minha solidariedade a professora JAQUELINE MUNIZ e a todos que pagam um alto preço pela coragem, ousadia e determinação em defender a democracia, lutar pelas minorias, tirar da invisibilidade os excluídos, e colocar sempre o Estado Democrático de Direito como sua principal bandeira. 👊👊🏼👊🏽👊🏾👊🏿

#solidariedade #esquerda #naopassarao #segurancapublica #cienciashumanasesociais

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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

🥀🖤🚨😭 RIO DE LUTO 😭🚨🖤🥀

👨🏽‍🦱 😭⚰ 💀 ⚰😭 👮‍♂️

✝️ LUTO 😞 O crime no Rio de Janeiro é organizado demais para um Estado desorganizado e controlado pelas chamadas milícias que disputam com o narcotráfico o poder local nas comunidades, principalmente nas mais empobrecidas. A ausência do poder público nas periferias criou um vácuo de poder que foi preenchido pela ação dos grandes traficantes que cooptam a população com serviços que deveriam ser prestados pelos governantes, como a manutenção de um posto de saúde ou o patrocínio de uma escola de samba ou time de futebol do bairro em troca de fidelidade e proteção contra a ação da polícia.

Ignorar que pessoas que não são criminosas estão no meio do fogo cruzado entre um Estado inerte e incompetente e grupos armados e preparados com alto poder (para)militar tudo isso alinhavado com fios de corrupção, aparelhamento do Estado (e até do Judiciário), pregação religiosa (sim, até as facções descobriram o poder paralelo das Igrejas), é analisar apenas uma camada do problema: aquela que os programas sensacionalistas e os filmes e novelas sempre exploraram, a de que a favela é local de traficante e de bandido!

O sangue derramado de civis e policiais, de bandidos e favelados, é uma mostra do nosso fracasso enquanto civilização e sociedade. Se chegamos ao abismo fatídico do caos é porque faltaram políticas públicas de enfrentamento à violência, de contenção da ascensão das milícias nas periferias, e principalmente fomentar espaços de lazer, educação e trabalho dentro das favelas. Criminalidade e ociosidade não são apenas palavras que rimam, mas palavras que se completam.

Não foram apenas "o policial morto", o "traficante abatido" ou o "morador que morreu de graça", eram pessoas que tinham nomes, rostos, famílias, identidades, vidas, histórias... A necropolítica, que banaliza a morte, como se o "não matarás" nunca tivesse sido escrito no Decálogo, venceu, teve seus minutos de fama, e é claro muitos apoiadores sedentos de sangue..., desde que não seja o seu ou de seus parentes e amigos! O crime exige Justiça, mas quando se troca a lei pelo extermínio, deixa de ser Justiça e passa a ser vingança.

A pacificação exige um ajuste na desigualdade social. O futuro incerto carioca dialoga com a contradição entre o Leblon e Copacabana e a Rocinha e o Vidigal. A diferença está na forma como a Faria Lima e a favela são tratadas no combate à criminalidade. Até parece que a bandidagem só existe no lado dos pretos, pobres e favelados. No Brasil o alvo tem cor, endereço e classe social. E muito sangue ainda vai ser derramado até que a maioria da população entenda isso. 😞😓😥😢😭

#lutopeloriodejaneiro 🖤
#paznasfavelascariocas 🖐
#naoeramapenasmarginais 🥀

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sábado, 25 de outubro de 2025

🔯⚫ OS 50 ANOS DA MORTE DE VLADIMIR HERZOG 😢🖤

por José Ricardo de Souza*

O assassinato de Vladimir Herzog (Vlado), que hoje, dia 25 de outubro de 2025 completa seus 50 anos, foi um dos casos mais emblemáticos da História da Ditadura Militar brasileira. Sua morte abriu feridas profundas dentro das patentes mais altas da caserna, deixando bem evidente o racha entre quem defendia a distensão do regime militar iniciado em 1964 e quem não queria largar o poder, a chamada Linha Dura (Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva já admitiam a passagem do poder para os civis, mas de forma lenta e gradual).

A família de Vlado era originária do antigo Reino da Iugoslávia, seguidores do Judaísmo, por isso fugiram para o Brasil para escapar da perseguição aos judeus estimuladas e executadas pelos nazistas na Europa dos anos 1930.

Herzog naturalizou-se brasileiro e construiu uma premiada carreira no jornalismo brasileiro, além de cineasta. Era formado em Filosofia pela USP e também foi professor de jornalismo na ECA.

Em 1975, Vlado ocupava o cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura, o que já lhe valia uma atenção especial dos milicos que controlavam rigidamente o que podia ser assistido, ouvido, ensinado, dramatizado e publicado em livros, revistas e jornais. A prática da censura era uma das formas do regime silenciar seus opositores, e os alvos mais visados eram artistas, escritores, professores, e principalmente jornalistas.

No dia 19 de outubro de 1975, Vlado havia sido procurado pelos militares nas dependências do seu local de trabalho, portanto um dia antes do assassinato. Após uma tensa negociação, ele se comprometeu a comparecer pessoalmente às dependências do DOI-CODI do Comando Militar do Sudeste que funcionava num antigo prédio da rua Tomás Carvalhal, no Bairro do Paraíso, em São Paulo, para esclarecer o que fosse necessário a seu respeito. Há quem diga que Vlado usou desse estratagema para proteger seus colegas de emissora, uma vez que uma detenção abusiva e autoritária sobre a TV, poderia recair também em seus colegas de profissão.

Vlado se dirigiu espontaneamente, dirigindo seu próprio veículo, e sem nenhuma escolta ou guarnição militar ao local combinado, onde dez jornalistas já estavam detidos. O que deveria ser uma conversa franca e aberta, foi substituída por uma seção de torturas comandadas pelo capitão Ramiro, que pressionava Vlado a dar informações de jornalistas que militavam no Partido Comunista. Ele não resistiu às torturas e faleceu dentro das dependências do DOI-CODI

Seus algozes montaram uma farsa para sustentar o suicídio por enforcamento como causa da morte de Vlado, o que foi logo contestado por Henry Sobel, presidente da Congregação Israelita Paulista. Sobel exigiu que Vlado, que era judeu, fosse sepultado na área central do Cemitério dos Israelitas e não no espaço destinado aos suicidas.

Seis dias depois do sepultamento, um grande culto ecumênico conduzido pelo cardeal D. Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor James Wrightem em memória de Vlado foi celebrado na Igreja da Sé em São Paulo e reuniu aproximadamente oito mil pessoas, sob forte vigilância dos militares que ouviram os brados de "Basta" dos presentes (dentre eles o nosso querido Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife).

Vlado sempre se colocou contra a luta armada. Sobre o porquê de optar pela militância no partido Comunista, respondeu: "É uma questão de momento. A situação política no Brasil é grave. Só há dois movimentos organizados que podem se articular para combater a ditadura – a Igreja e o Partido Comunista. Eu sou judeu. Só tenho uma opção”.

Em 1979 a Justiça brasileira condenou a União pelo assassinato de Vlado. Apenas em 2013, a família teve nas mãos uma nova certidão de óbito, na qual a morte foi registrada como resultado de “lesões e maus tratos” infligidos no “II Exército (DOI-CODI)” –  um eufemismo ainda para abuso, tortura, homicídio. O caso Herzog foi apreciado até na Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2017 numa audiência em São José, na Costa Rica.

50 anos depois de sua morte, sua família mantém vivo o legado de Vlado através do Instituto Vladimir Herzog. Uma de suas frases parece ter sido escrita para o que está acontecendo nos dias atuais: “Quando perdemos a capacidade de nos indignar com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerar seres humanos civilizados”. Casos como o de Vlado, do estudante Edson Luís, da estilista Zuzu Angel e seu filho Stuart Angel, da poetisa Soledad Barret, da psicóloga Iara Iavelberg devem ser lembrados para não serem esquecidos, e principalmente lutarmos para que nunca mais voltem a acontecer. Ditadura? Nunca Mais! 🙅🙅🙅

*O autor é professor da rede pública estadual de ensino e historiador; membro da ALAP, IAHGP, UBE, e do IHGAAP. Instagram: @josericardope01